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“Difíceis, intensas e substanciais”: negociações de paz entre Ucrânia e Rússia terminam ao fim de duas horas

“Difíceis, intensas e substanciais”: negociações de paz entre Ucrânia e Rússia terminam ao fim de duas horas “Difíceis, intensas e substanciais”: negociações de paz entre Ucrânia e Rússia terminam ao fim de duas horasCréditos:Sedat Suna/ Getty Images

O encontro entre Ucrânia e Rússia, mediado pelos Estados Unidos, ocorreu uma semana antes de se assinalarem os quatro anos de guerra na Ucrânia. Há “progressos” mas sem grandes detalhes
O segundo e último dia das negociações de paz entre Ucrânia e Rússia, mediadas pelos Estados Unidos, terminaram esta quarta-feira, na cidade suíça de Genebra, ao fim de apenas duas horas. Volodymyr Zelensky acusa Moscovo de arrastar as conversações, “que já poderiam ter atingido a fase final”, enquanto a delegação russa admite uma nova ronda, “em breve”.

“Como sabem, as negociações decorreram durante dois dias. Ontem [terça-feira], foram muito longas e em diferentes formatos, e hoje, durante duas horas. Foram difíceis, mas substanciais”, disse o chefe da equipa negociadora russa, Vladimir Medinsk, citado pela agência de notícias russa TASS. Uma próxima reunião será realizada “em breve”, acrescentou, sem detalhes.

A delegação russa abandonou assim o Hotel Intercontinental, em Genebra, onde decorreram as reuniões, nas quais participaram o enviado especial norte-americano para processos de paz, Steve Witkoff (que não adiantou qualquer pormenor sobre os progressos), e o genro do Presidente Donald Trump, Jared Kushner, bem como representantes da França, Reino Unido, Alemanha, Itália e Suíça na terça-feira. Ontem, o encontro durou seis horas.

A poucos dias de se assinalarem quatro anos de guerra (no dia 24), o Presidente ucraniano acusou a Rússia de dificultar o progresso das negociações de paz. “Os encontros de ontem [terça-feira] foram de facto difíceis, e podemos afirmar que a Rússia está a tentar arrastar negociações que já poderiam ter atingido a fase final”, afirmou Zelensky.

Ainda assim, o líder ucraniano admitiu avanços na definição dos mecanismos de verificação de um eventual cessar-fogo, para o qual continua a não haver acordo: “Os militares sabem como monitorizar um cessar-fogo e o fim da guerra para quando houver vontade política”.

Há progressos sem detalhes
Por sua vez, o chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, falou em “progressos” no final das discussões em Genebra. “Este trabalho complexo exige o acordo de todas as partes e um prazo suficiente. Há progressos, mas nenhuns detalhes podem ser divulgados nesta fase”, declarou, classificando as conversações de “intensas e substanciais”.

Segundo o chefe da delegação ucraniana, a próxima etapa consistirá “em obter o consenso necessário” para submeter um documento à análise dos dois presidentes. “Vários pontos foram clarificados, enquanto outros exigem uma coordenação adicional. Para a Ucrânia, “o objetivo final permanece inalterado: uma paz justa e duradoura.”


Estes encontros em Genebra, que duraram no total oito horas, seguem-se a duas recentes rondas de conversações em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que também não produziram avanços significativos.

As negociações têm estado paralisadas devido ao destino do Donbas, no leste da Ucrânia, que engloba as províncias de Donetsk e Lugansk, declaradas anexadas pela Rússia. Moscovo exige que as forças ucranianas se retirem das zonas que ainda controlam na região de Donetsk, uma exigência que Kiev recusa.

Kiev insiste que não vai ceder território
Volodymyr Zelensky diz que as negociações não estão “nada fáceis” em particular nas “questões sensíveis” dos territórios exigidos por Moscovo e da central nuclear de Zaporíjia ocupada pelo exército russo. A Ucrânia não entregará território à Rússia, reitera Zelensky.

O Presidente ucraniano deu uma entrevista ao site de notícias americano “Axios” publicada esta terça-feira, na qual disse que “não era justo” Donald Trump continuar a apelar publicamente à Ucrânia, e não à Rússia, para fazer concessões. No dia anterior, o republicano tinha avisado: “É melhor a Ucrânia sentar-se à mesa rapidamente. É tudo o que tenho a dizer”.

Os dois exércitos permanecem bloqueados em combates na linha da frente de aproximadamente 1250 quilómetros e a Rússia bombardeia diariamente áreas civis da Ucrânia. As tropas russas ocupam cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a Crimeia e partes do Donbas. Os recentes ataques aéreos de Moscovo à infraestrutura energética deixaram centenas de milhares de ucranianos sem eletricidade em pleno inverno.

C/ Expresso + Lusa

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