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Opiniões

	Um novo pacto para o Desporto Cabo-Verdiano  (Parte II)

Paulo Veiga

Um novo pacto para o Desporto Cabo-Verdiano (Parte II)

Do diagnóstico à construção, como transformar talento em sistema
 

O diagnóstico está feito. Durante anos, Cabo Verde tem revelado atletas de enorme qualidade, capazes de competir e vencer ao mais alto nível internacional. O talento existe, o compromisso existe, e a ambição existe. O que tem faltado é algo mais profundo e mais decisivo, falta um sistema que transforme talento em continuidade, em consistência e em futuro. 
Como já o afirmei em ocasiões anteriores, não podemos continuar a depender do acaso, da resiliência individual ou de trajetórias construídas apesar das estruturas, e não graças a elas. Chegou o momento de dar o passo seguinte e de passar do diagnóstico à construção. Devemos ter a ambição de transformar o desporto cabo-verdiano numa realidade organizada, estruturada e sustentável, trilhando um caminho que exige um novo pacto nacional para o desporto, que entendo que deva assentar em cinco pilares fundamentais.
O primeiro é a reforma do calendário desportivo. Nenhuma indústria funciona três ou quatro meses por ano. Nenhuma organização consegue evoluir sem continuidade, e nenhum atleta pode atingir o seu potencial máximo competindo apenas de forma intermitente. Hoje, em muitas modalidades, os campeonatos são curtos, fragmentados e insuficientes para garantir desenvolvimento real. É necessário criar épocas desportivas completas, com duração adequada, com competição regular e com previsibilidade.
Países que hoje são referências perceberam isto cedo. Portugal, por exemplo, reformulou profundamente as suas competições jovens e seniores nas últimas duas décadas, criando calendários consistentes que permitiram o desenvolvimento sustentado de atletas que hoje competem ao mais alto nível mundial. O mesmo aconteceu com a Islândia, um país com pouco mais de 370 mil habitantes, que reorganizou totalmente o seu calendário e sistema de formação. O resultado foi histórico, em poucos anos, passou de irrelevante no futebol internacional a presença regular em fases finais de Europeus e Mundiais. E temos o exemplo mais recente no Japão, país de tradições milenares, e que se encontra no ano de transição para ter, no futebol, o mesmo calendário da UEFA. O calendário é o esqueleto do sistema. Sem ele, tudo o resto permanece frágil. Com ele, nasce a possibilidade de planear, investir e evoluir.
O segundo pilar é a profissionalização das estruturas. Durante décadas, o desporto cabo-verdiano foi sustentado pelo voluntarismo, pela dedicação pessoal e pelo espírito de missão de muitos dirigentes e técnicos. Esse esforço merece respeito e reconhecimento. Mas já não é suficiente. O nível que os nossos atletas atingiram exige estruturas à altura. Federações com equipas técnicas permanentes, clubes com gestão estável e transparente, treinadores com formação contínua e carreiras estruturadas. Isto implica, por exemplo, criar programas nacionais de certificação de treinadores, estabelecer contratos-programa plurianuais com federações e introduzir critérios de desempenho claros e mensuráveis.
A Austrália oferece um exemplo particularmente relevante. Após resultados dececionantes nos Jogos Olímpicos de Montreal em 1976, criou o Australian Institute of Sport, uma estrutura permanente dedicada à formação e preparação de atletas e técnicos. O impacto foi transformador. Em poucas décadas, a Austrália tornou-se uma das maiores potências desportivas mundiais, não por ter mais talento, mas por ter criado um sistema mais eficiente.
Os nossos atletas já competem como profissionais. As nossas estruturas precisam de acompanhar essa realidade, para que o talento deixe de crescer dentro de sistemas improvisados e passe a desenvolver-se dentro de instituições sólidas, previsíveis e organizadas.
O terceiro pilar é o financiamento estruturado. O desporto não pode depender exclusivamente do esforço público, nem pode continuar refém da incerteza. É necessário criar um modelo moderno, assente em três eixos complementares: Estado, setor privado e diáspora. O Estado deve assumir o seu papel estratégico, através da criação de um Fundo Nacional de Desenvolvimento Desportivo, com financiamento estável e critérios transparentes. O setor privado deve ser incentivado através de benefícios fiscais ao patrocínio desportivo, reconhecendo que investir no desporto é investir na sociedade. A diáspora, que sempre desempenhou um papel central na afirmação internacional de Cabo Verde, pode também desempenhar um papel decisivo no financiamento e apoio a projetos estruturantes.
Se olharmos para o Senegal vemos um exemplo inspirador. Ao investir de forma estruturada no seu sistema desportivo, com apoio público e privado coordenado, conseguiu transformar o seu futebol numa força continental e internacional, culminando na vitória na Taça das Nações Africanas. Esse sucesso não foi um acidente. Foi o resultado de uma estratégia. Os países que conseguiram transformar o desporto numa força estruturante compreenderam uma verdade essencial, a que o desporto não é uma despesa, é um investimento. Um investimento em juventude, em saúde, em coesão social e em projeção internacional.
O quarto pilar é o desenvolvimento de infraestruturas e centros de preparação. Não se trata apenas de construir mais campos ou mais pavilhões. Trata-se de criar centros regionais de desenvolvimento desportivo, onde os atletas possam treinar durante todo o ano, com acompanhamento técnico, médico e científico.
A Jamaica oferece um exemplo extraordinário. Com recursos limitados, investiu de forma estratégica em centros de treino e programas escolares de atletismo. O resultado foi a criação de uma geração de atletas que dominou o atletismo mundial durante mais de uma década, incluindo nomes como Usain Bolt. O sucesso jamaicano não nasceu da dimensão do país, mas da inteligência do seu sistema. O alto rendimento não nasce apenas da vontade. Nasce da repetição, da preparação e da continuidade. Exige condições adequadas e um ambiente estável onde o atleta possa desenvolver-se com confiança.
O quinto e último pilar é talvez o mais transformador, reconhecendo o desporto como uma verdadeira indústria nacional. O desporto é hoje um dos maiores setores económicos globais, representando milhões de empregos e milhares de milhões em atividade económica. Países como o Reino Unido, através da sua estratégia para a economia do desporto, ou Portugal, através do desenvolvimento da sua indústria ligada ao futebol, demonstraram que o desporto pode ser um motor económico relevante.
Cabo Verde reúne condições únicas para desenvolver uma economia do desporto, desde a formação de atletas até à organização de competições internacionais, ao turismo desportivo e à criação de novas oportunidades profissionais para jovens.
Como afirmou Nelson Mandela, numa das mais poderosas reflexões sobre o tema: “O desporto tem o poder de mudar o mundo. Tem o poder de inspirar. Tem o poder de unir as pessoas de uma forma que poucas outras coisas conseguem.”
Cada atleta que representa Cabo Verde leva consigo a nossa bandeira, a nossa história e a nossa identidade. Cada vitória reforça a nossa presença no mundo. Cada percurso de sucesso abre caminho para outros. Não estamos a começar do zero. Cabo Verde já construiu uma reputação internacional no desporto. Já mostrou que é capaz, e já provou que pode competir com dignidade e ambição. O que falta agora é dar consistência a esse percurso.
Estamos perante uma oportunidade histórica. Temos uma geração de atletas que abriu portas, uma sociedade que acredita, e um país que ganhou confiança. Os países não escolhem quando o talento surge. Escolhem o que fazem quando ele surge. Assim, este é o momento de escolher. De deixar de improvisar e começar a estruturar. Que tenhamos a vontade de deixar de reagir e começar a planear, transformando o talento individual numa força coletiva.
Obviamente, que um sistema desportivo sólido não se constrói num ano. Constrói-se com visão, com compromisso e com continuidade, através de decisões corajosas, e com uma forte liderança. Porque o futuro do desporto cabo-verdiano não depende apenas dos nossos atletas, mas sim das escolhas que fizermos agora enquanto país.
Temos o talento. Temos a experiência. Temos a ambição. Agora precisamos de construir o sistema que os nossos atletas merecem. Porque quando o talento encontra estrutura, deixa de ser exceção e passa a ser destino. E Cabo Verde merece um destino à altura do seu potencial.
 

 

Um Novo Pacto para o Desporto Cabo-Verdiano

Paulo Veiga

Um Novo Pacto para o Desporto Cabo-Verdiano

Difícil criar campeões quando metade do ano é intervalo

Nenhum setor tem a capacidade de unir um país, educar uma geração e projetar uma identidade internacional tão rapidamente como o desporto. Quando existe uma estratégia clara, o desporto torna-se motor de mobilidade social, fonte de emprego, plataforma de diplomacia e espelho do que um país ambiciona ser. Quando não existe, fica reduzido a episódios emocionantes, mas passageiros. É por isso que vale a pena discutir, com profundidade, o papel que o desporto pode e deve desempenhar no futuro de Cabo Verde. E nunca como agora tivemos um contexto tão favorável para iniciar esse debate, onde os sucessos recentes das nossas seleções transformaram uma reflexão que podia parecer abstrata numa urgência concreta, numa oportunidade real de transformar entusiasmo momentâneo em mudança estrutural.
No entanto, para transformar essa oportunidade em algo mais do que inspiração coletiva, é preciso olhar de frente para a forma como o desporto está organizado no país. Os resultados internacionais deram visibilidade ao potencial dos nossos atletas, mas também tornaram impossível ignorar as fragilidades de um sistema que não acompanha a ambição que agora projetamos. O que antes podia ser visto como um detalhe técnico, calendários desajustados, competições demasiado curtas, dependência excessiva das câmaras municipais e estruturas sem profissionalização, tornou-se, de repente, parte central da discussão sobre o futuro do desporto cabo-verdiano. É neste ponto que o entusiasmo se encontra com a responsabilidade: se queremos que os feitos recentes sejam o início de algo maior, precisamos de reconhecer que a base sobre a qual construímos ainda não é sólida o suficiente para sustentar o salto que demos.
Poucos gostam de discutir isto, mas é incontornável. Em praticamente todas as modalidades temos federações, depois dez a doze associações regionais, e um modelo competitivo que não responde às exigências do desporto moderno. Os campeonatos regionais, que deveriam ser motores de desenvolvimento, estendem-se por cinco ou seis meses, enquanto os campeonatos nacionais, supostamente o ponto alto da época, duram pouco mais de um mês. Isto significa que atletas e clubes passam metade do ano à espera, em vez de competir, significa que treinadores não conseguem planear épocas completas, significa que não existe calendário suficiente para criar receitas, atrair patrocinadores ou justificar investimentos. Este sistema, que já teve o seu tempo, hoje bloqueia a evolução do país.
Apesar de tudo isto ser amplamente reconhecido nos bastidores, o país continua a funcionar com um desporto que depende mais da boa vontade e da resiliência dos seus agentes do que de estruturas estáveis. Chegámos a um ponto em que o talento dos atletas e a dedicação dos treinadores já não conseguem compensar a ausência de profissionalização nas federações, nas associações e nos clubes. A gestão permanece, em grande medida, assente no voluntarismo; os calendários são definidos sem visão de longo prazo; e a própria organização das competições carece de critérios técnicos que garantam evolução contínua. Esta informalidade estrutural era tolerável enquanto o país se mantinha longe dos grandes palcos internacionais. Agora, com a visibilidade que conquistámos, tornou-se um obstáculo evidente. Se queremos acompanhar o salto dado dentro do campo, precisamos de um salto equivalente fora dele.
A ginástica ofereceu-nos, há poucos dias, um exemplo dolorosamente claro do que significa manter um sistema desportivo assente no improviso. A atleta Dara Pinto qualificou-se para a final do Guimagym Cup, em Portugal, após uma prestação notável, e acabou impedida de competir porque a federação não renovou a sua licença. Um “lapso administrativo”, como foi assumido, que não apenas frustrou uma carreira jovem em ascensão, como expôs uma realidade que atravessa várias modalidades, com processos básicos que falham, atletas que treinam sem condições mínimas, treinadores que dependem de favores para garantir espaços de treino, federações que comunicam mal e tardiamente, e uma cultura organizativa que normaliza o erro em vez de o prevenir. Este episódio não é exceção, é sintoma. E enquanto continuarmos a tratar o desporto com esta leveza institucional, continuaremos a pedir aos nossos atletas que compitam num mundo que exige profissionalismo absoluto com estruturas que ainda funcionam como se estivéssemos a meio do século passado.
O amadorismo trouxe-nos até aqui com dignidade. O que falta agora é o passo seguinte, transformar a paixão em estrutura. O Mundial será, no fundo, o primeiro grande teste ao nosso sistema. Um torneio desta dimensão exige logística profissional, análise contínua, planeamento de detalhe, rotinas de alto rendimento, recuperação física rigorosa e uma maturidade institucional que não se constrói em três meses. E, no entanto, continuamos a pedir aos nossos jogadores que alternem entre meses de competição e meses de vazio, como se o talento fosse suficiente para compensar a ausência de um ecossistema desportivo funcional. Não é. O talento é o nosso ouro, mas precisa de chão firme onde pousar.
Esta fragilidade estrutural manifesta-se não apenas no calendário competitivo, mas também no modo como o país financia e sustenta as suas modalidades. Em Cabo Verde, o financiamento desportivo resulta de um quadro partilhado de responsabilidades que envolve o Governo central, o Instituto do Desporto e da Juventude e as autarquias locais, enquadrado por um conjunto de instrumentos legais e programáticos. Ainda assim, na prática, são as câmaras municipais que assumem um peso determinante na construção e manutenção das infraestruturas, bem como no apoio direto aos clubes e associações. Este modelo, apesar de ter sido fundamental para garantir a sobrevivência do sistema até hoje, revela limitações evidentes: não assegura previsibilidade financeira, dificulta o planeamento de médio e longo prazo, não cria incentivos claros à profissionalização e continua a afastar investimento privado estruturado. Sem uma articulação mais eficaz entre níveis de governação e uma estratégia nacional coerente, o desporto acaba por depender excessivamente de contextos orçamentais locais, ficando exposto a ciclos políticos e constrangimentos que pouco têm a ver com a ambição que o país projeta no plano desportivo.
Se queremos transformar o desporto num verdadeiro motor de desenvolvimento, então precisamos de ir mais longe. O país necessita de um novo pacto para o desporto, que envolva o Estado central, o setor privado, a diáspora e naturalmente as autarquias, mas já não com estas últimas a suportarem quase sozinhas todo o sistema. A qualificação para o Mundial deu-nos uma visibilidade inédita e uma capacidade de mobilização rara, mas este impulso não se traduzirá em progresso se permanecermos presos a um modelo que não permite profissionalizar quadros, contratar especialistas, planear épocas completas, modernizar clubes ou garantir competições regulares ao longo do ano.
O que está em causa é mais do que conquistas desportivas. É uma questão de desenvolvimento nacional. Cabo Verde tem capital humano, talento, ambição e uma diáspora que abre portas no mundo inteiro. Falta-lhe, contudo, um ecossistema de parcerias que traga para o país a experiência que ainda não possuímos, falta-lhe estabilidade financeira, e falta-lhe a coragem coletiva para enfrentar o que tem de ser mudado: o calendário, as infraestruturas, a gestão das federações, a formação dos quadros e, acima de tudo, a forma como o país pensa o desporto enquanto instrumento de progresso económico, social e diplomático.
Chegou o momento em que precisamos de assumir que não basta celebrar, temos de construir. Podemos continuar a viver da emoção imediata ou podemos transformar este momento numa viragem estrutural. Se fizermos o que é necessário, reformar o calendário, profissionalizar as estruturas, diversificar o financiamento, reforçar as infraestruturas e criar um plano nacional para o desporto, então esta presença no Mundial deixará de ser uma exceção brilhante e passará a ser um ponto de partida.

O país já provou que pode competir com os melhores, agora precisa provar que pode organizar-se como os melhores. A paixão trouxe-nos até aqui, mas será a profissionalização que nos levará para onde nunca estivemos. O desporto cabo-verdiano tem futuro, mas esse futuro só existirá se tivermos a coragem de o construir. Hoje, mais do que nunca, Cabo Verde precisa de um desporto que funcione doze meses por ano, e de uma estrutura capaz de converter feitos extraordinários em evolução permanente.
Como lembrou Jesse Owens, um dos maiores atletas de sempre: “Todos temos sonhos. Mas para que os sonhos se tornem realidade, é preciso muita determinação, dedicação, autodisciplina e esforço.” O desafio do desporto cabo-verdiano é exatamente esse, transformar o sonho em estrutura e a ambição em caminho.

 

 

𝗔 𝗱𝗲𝗺𝗼𝗰𝗿𝗮𝗰𝗶𝗮 𝗲́ 𝘁𝗮𝗺𝗯𝗲́𝗺 𝘂𝗺 𝘀𝗶𝘀𝘁𝗲𝗺𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗮𝗷𝘂𝗱𝗮 𝗲𝘀𝗰𝗿𝘂𝘁𝗶𝗻𝗮𝗿 𝘂𝗺𝗮 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲 𝗰𝗮𝗿𝗮́𝗰𝘁𝗲𝗿 𝗱𝗼𝘀 𝘀𝗲𝘂𝘀 𝗵𝗼𝗺𝗲𝗻𝘀

Lassana Cassama

Jornalista Guine Bissau

𝗔 𝗱𝗲𝗺𝗼𝗰𝗿𝗮𝗰𝗶𝗮 𝗲́ 𝘁𝗮𝗺𝗯𝗲́𝗺 𝘂𝗺 𝘀𝗶𝘀𝘁𝗲𝗺𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗮𝗷𝘂𝗱𝗮 𝗲𝘀𝗰𝗿𝘂𝘁𝗶𝗻𝗮𝗿 𝘂𝗺𝗮 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲 𝗰𝗮𝗿𝗮́𝗰𝘁𝗲𝗿 𝗱𝗼𝘀 𝘀𝗲𝘂𝘀 𝗵𝗼𝗺𝗲𝗻𝘀

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𝗥𝗘𝗙𝗟𝗘𝗫𝗔̃𝗢 - 𝟯𝟮
𝗔 𝗱𝗲𝗺𝗼𝗰𝗿𝗮𝗰𝗶𝗮 𝗲́ 𝘁𝗮𝗺𝗯𝗲́𝗺 𝘂𝗺 𝘀𝗶𝘀𝘁𝗲𝗺𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗮𝗷𝘂𝗱𝗮 𝗲𝘀𝗰𝗿𝘂𝘁𝗶𝗻𝗮𝗿 𝘂𝗺𝗮 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲 𝗰𝗮𝗿𝗮́𝗰𝘁𝗲𝗿 𝗱𝗼𝘀 𝘀𝗲𝘂𝘀 𝗵𝗼𝗺𝗲𝗻𝘀
É verdade que a democracia é um sistema político. Mas, eu diria que vai além. É uma cultura assente na abertura de espírito para ouvir e aceitar o contraditório. Por isso, começa em casa entre o homem, a mulher e os filhos; nas escolas; e/ou nas associações, passando pelas instituições que representamos ou para as quais trabalhamos. 
No entanto, hoje em dia, ela - a democracia -, ajuda-nos a escrutinar e a entender o verdadeiro caráter e/ou a personalidade de um homem numa sociedade aberta, onde a própria democracia é adoptada como um sistema e uma cultura institucional.
Lamentávelmente, e com muita mágoa, diria que o homem guineense está ainda longe de interiorizar e aceitar a democracia como um mecanismo de equilíbrio de poder em casa, na sociedade e no trabalho, onde o debate de ideias é salutar, e onde perder ou ganhar faz parte do próprio jogo democrático. 
Por isso, tenho esperança na abertura, na tolerância e no entendimento entre os guineenses, porquanto a democracia é o sistema que escolhemos para as nossas vidas. Daí, acredito que ainda estamos a tempo de recompor-se e salvar do que resta da nossa democracia e da nossa valiosa e sagrada UNIDADE NACIONAL e da nossa GUINEENDADI. 
Aveiro, 18 de dezembro de 2025
LC

A Degradação do homem guineense é assustadora

Lassana Cassama

Jornalista Guine Bissau

A Degradação do homem guineense é assustadora

Sou guineense e, nesta qualidade, poucas situações me escaparam tanto no passado, quanto no presente. Neste país [na minha Guiné-Bissau] assisti conspirações, intrigas, perseguições, traições, sequestros, torturas, assassinatos, etc. – alguns cenários dos quais também fui vítima – mas, o que tem acontecido nos últimos tempos é profundamente preocupante e assustador. O homem guineense já não se importa com os valores ou princípios. O homem guineense tornou-se num “animal” extremamente perigoso em nome do bem-estar próprio. Todos rogam-se no direito de poder assumir qualquer cargo no Estado, mesmo sabendo [o próprio] que não tem competências, instruções ou preparação para tal. Bom, o problema aqui não se resume apenas a quem é nomeado, mas quem nomeia quem. É a tal vulgarização e impreparação das pessoas que indicam e que são indicadas para os cargos públicos, uma situação que temos vindo a alertar há muito tempo. Temos banalizado a função do Estado ao ponto de ignorar, por completo, o básico: o PERFIL de quem deve ser a nossa dianteira. E, justamente, sobre este particular, já experimentamos o tal paladar e estamos ainda a experimenta-lo. Hoje, o país está a ferro e fogo, por conta das nossas próprias opções em legitimar e dar respaldo às pessoas que praticam atos transgressivos às normas sociais e legais. Estamos tão presos – sinal e prova do Síndrome de Estocolmo – ao ponto de idolatrar os nossos próprios carrascos, que nos têm tirado a paz, o amor e a convivência social que sempre nos caracterizou, enquanto um povo com diferentes religiões, etnias e classes sociais.
A política é uma ciência e para o bem. Em consequência, a governação é feita de visão, estratégia e planificação. Daí que o improviso, o impulso e a emoção não se alinham com uma boa governação. Porém, infelizmente, na minha Guiné-Bissau, a política e a governação tornaram-se no ninho privilegiado para os delinquentes, incompetentes, preguiçosos e arruaceiros. Os considerados "Matchus", quando, na verdade, são ladrões.
Em face desta realidade – que nos envergonha – algo tem de ser feito. A sociedade precisa ser sensibilizada e mobilizada para censurar, de forma incisiva, gente que só consegue navegar nestas águas turvas à margem das regras. Os chamados “ESTRATEGAS E MINISTROS DE TRANSIÇÂO”. São pessoas desprezíveis e, por isso, devem ser renegadas e não premiadas pela sociedade. Pois, seria a única forma de as desmobilizar, deixando o país RESPIRAR um pouco. É...o país precisa RESPIRAR. 
Aveiro, 30 de novembro de 2025
LC
 

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