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Mário Rui Alfama Pais vai dar a estampas o Livro “Os primeiros embaixadores de Cabo Verde no futebol”

Mário Rui Alfama Pais vai dar a estampas o Livro “Os primeiros embaixadores de Cabo Verde no futebol”

Segundo o autor do livro, cujo lançamento ainda não tem uma data marcada, vai trazer histórias que podem servir para pesquisas e consulta, uma vez que aborda não só a questão do desporto como também a parte social e académico dos vários jogadores que conseguiram atingir sucessos, principalmente em Portugal.

Mário Rui Alfama Pais que é natural da na cidade da Praia, nasceu a 08 de abril de 1946. Ainda jovem emigrou para Portugal, nos anos de 1969, para continuar os seus estudos académicos, onde ingressou na escola de regentes agrícolas da cidade de Santarém, mas por razões várias, lamentou não ter conseguido esse desiderato, faltando apenas quatro carreiras para conseguir terminar a faculdade, mas a vida lhe proporcionou outro caminho.

Mário Rui Alfama Pais que é reformado da Portugal Telecom, decidiu dedicar mais as histórias dos cabo-verdianos que passaram pelo futebol português e não só para ajudar, segundo afiançou para ajudar os cabo-verdianos, tanto no país como na diáspora a conhecer melhor a história de alguns craques de futebol até a independência, que se aventurarem em Portugal.

Conforme começou por contar, estes rapazes talentosos inicialmente foram para Portugal para continuarem os seus estudos académicos, visto que eram, “chamados filhos de boas famílias". Pessoas com posse”, notou, precisando que teve a sorte de acompanhar estes cenários, de perto, aliás precisou que “é uma descoberta que se não fosse ele naquele momento, ninguém daqui a cem anos saberia contar”.

Segundo Mário Pais, uma das figuras emblemáticas do futebol cabo-verdiano, que deu as cartas em Portugal, conforme afiançou o autor do livro, foi o Fortunato Levi, que com os seus 16, 17 anos viajou para as terras lusas para frequentar o conceituado liceu da época, que era o Liceu Académico, salientando que por muitos é considerado um dos sócios fundadores do Sport Lisboa, que veio depois a ser fundido para Sport Lisboa e Benfica.

“Aliás, ele não é considerado um dos fundadores do BENFICA, por uma razão quase que natural. É que ele morava na zona, por exemplo, da Baixa e o BENFICA, o Sport Lisboa, tinha as suas instalações nas terras de desembargador, que é ali na zona do Restelo”, realçou, lembrando que na altura se treinava só uma ou, duas vezes por semana.

Este jogador, salientou Mário Pais, teve a oportunidade de conviver com os lendários Irmãos Catataus, que são considerados quase que a alma da fundação BENFICA, que também por curiosidade dois deles abandonaram o Clube e foram fundar a Secção de Futebol, Sporting Clube de Portugal.

Acontece que na primeira edição do campeonato distrital ou regional de Lisboa, o clube teve de indicar os nomes que iam ser representantes do clube dentro do campo, os chamados capitães, numa eleição que era típica na altura, feita por colegas dirigentes e pelos sócios de equipa, o que considerou talvez fosse surpresa ou não, Levi foi indicado para ser um dos capitães.

De acordo com o autor do livro, Fortunato Levi, após ter formado em Portugal na área do Comércio, que atualmente é mais ou menos Gestão, ou Economia, regressou à Cabo Verde, pelo que a sua história futebolística naquele país europeu, aconteceu neste intervalo de tempo, em que foi titular desde o primeiro dia, pelo que ele é considerado por muitas pessoas como um dos fundadores do Sport Lisboa e BENFICA, apesar de ser moreno escuro ou mulato escuro.

“Fortunato Levi foi considerado um jogador, fabuloso na época e é, indiscutivelmente o primeiro cabo-verdiano a jogar em Portugal”, fez saber, mas pelo que informou, após o seu regresso à Cabo Verde, o referido jogador teve pouca ligação ou quase nula com o futebol, porque na altura não havia clubes na cidade da Praia e nem mesmo em São Vicente.

“Deduzo que, em São Vicente o futebol apareceu por influência inglesa, a partir dos jogos entre os elementos do então chamado Cabo Submarino, que era formado quase exclusivamente por ingleses, e até fundaram um clube que se tornou, até foi o primeiro vencedor do campeonato de Lisboa, que era o Carcavelos Sport Club”, contou.

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Antigo Futebolista Mário Rui Alfama Pais entrevistado pelo jornalista Eugénio Teixeira

Questionado qual a razão do Levi não ter permanecido em Portugal para continuar a sua carreira no futebol Mário Pais informou que o mesmo era na altura considerado de “uma boa família, com posses”, e em Portugal não havia futebol profissional, o que não era atraente para continuar, além domais a sua família de origem judaica, estava à espera dele na cidade da Praia, onde ele veio a exercer o cargo de Presidente da Câmara da Praia, cargo que também desempenhou na ilha do Fogo, onde se casou.

“O avô é um judeu que veio de Marrocos, a partir de Lisboa, e a caminho do Brasil. O barco avariou-se, aqui na cidade da praia. E acabou por ficar por cá”, ressaltou, informando que o craque cabo-verdiano veio a falecer aos 69 anos, noticiado em todo arquipélago e com eco em Portugal, no jornal o Benfica, e outras publicações, “porque a fama era imensa no Benfica”, salientou.

Contou ainda que Levi teve um neto conhecido por doutor Lúcio Aires, veio a se formar em medicina, tendo trabalhado no Benfica durante cerca de 20 anos e que até o momento ocupa um cargo na direção do Benfica.

Conforme adiantou, a família de Levi teve fortes influências na criação da equipa dos Travadores, Vitória que também na sua na génese da fundação contou com forte influência da elite da capital do país, apontando como exemplo, o caso do Sr. Cândido Vasconcelos, o caso  da família Barbosa, do Zeca Brito, ex-Presidente da Câmara da Praia, entre outras personalidades.

“Portanto, até 1933, 34, havia só três clubes na cidade da Praia, pelo menos que eu saiba, Vitória, Travadores, e Sporting”, ressaltou, indicando que em 1935, houve o primeiro intercâmbio desportivo entre ilhas, a nível do futebol, a partir da iniciativa da equipa Vitória, à par do Travadores em que participaram os Mindelenses, do então irmãos Senna e de tantos outros jogadores, que vieram à praia.

“O quarto jogo era para ser disputado contra um clube que tinha nascido dois anos antes, chamado Os Lusitanos, constituído por gente humilde. Jogavam descalços, porque não tinham posses para comprar as botas, jogavam descalços, mas acabou-se, por não realizar, devido à falta de tempo, porque o Mindelense teve que regressar à Mindelo”, apontou.

Um outro caso do aparecimento de clube na cidade da Praia, segundo Mário Pais, foi o Rápido da Praia, por influência do Rapid Viena, uma das equipas mais destacadas na Europa na altura, uma vez que o Sporting deixou de participar nas provas oficiais, mas isso não implicou o seu desaparecimento.

A equipa do Rápido, segundo o autor do livro, veio a ser uma das fabulosas equipas nos meados dos anos 50, e também elitista, que participou no campeonato oficial da Praia e que contou com jogadores como Mundinho ,Funa Bastos, Rui Maia, Vidinho Leite, vindo de São Vicente ou Santo Antão e o meu tio, Iduino Pais, bem como Benvindo, que acabou por ser uma das melhores da capital na altura, embora não tenha ganho o campeonato.

Lembrou por outro lado, que em 1953, aconteceu a primeira final do Campeonato de Cabo Verde de futebol, em que o vencedor foi a Académica do Mindelo, que defrontou na final o Campeão de Santiago da época 52, 53, o Vitória da Praia.

Entretanto, o ressurgimento do Sporting da Praia, graças ao impulso dos simpatizantes do Sporting Clube de Portugal, porque tinha os estatutos legais, veio a culminar com extinção do Rápido, uma vez que os dirigentes do Rápido, na sua esmagadora maioria, eram simpatizantes do Sporting Clube de Portugal.

A segunda parte da historia de Mário Rui Alfama Pais sobre “Os primeiros embaixadores de Cabo Verde no futebol” que consta no seu livro sem data ainda para o lançamento, para conferir na próxima 4a feira aqui no Cvsports Jogo Limpo.

 

 

 

 

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