José Maria Neves faz balanço de mandato “audaz” e destaca estabilidade política e afirmação internacional de Cabo Verde
O Presidente da República, José Maria Neves, fez esta quinta feira, 10, um balanço “fortemente positivo” do seu mandato ao serviço do país, classificando este ciclo como uma etapa de grande superação institucional e proximidade aos cidadãos.
“No final deste mandato queria manifestar a minha grande satisfação, porque foi na verdade um excelente mandato, um mandato audaz, auspicioso e cintilante”, declarou o Chefe de Estado, numa conferência de imprensa destinada a apresentar o balanço do seu mandato e a abordar os ganhos e os desafios produzidos nas diversas frentes de actuação do país.
Na sua intervenção, José Maria Neves sublinhou os desafios de presidir a um “Estado transnacional", feito de ilhas e de uma imensa diáspora espalhada por todo o mundo, num contexto global marcado por guerras, alterações climáticas e restrições à mobilidade.
Apesar dos constrangimentos, o Chefe de Estado realçou a capacidade de diálogo de Cabo Verde, sublinhando que o país conseguiu abrir novos caminhos através do entendimento entre as forças políticas, o Estado e os municípios, garantindo assim a estabilidade política e institucional.
A busca por essa coesão traduziu-se, segundo o Presidente, na sua actuação como “ouvidor-geral da República”, impulsionada por acções descentralizadas como a Presidência na ilha e a Presidência na diáspora.
“É importante que o Presidente seja o traço de união entre todos os cabo-verdianos, independentemente do país onde estejam, da sua condição social ou da sua sensibilidade política”, afirmou, lembrando ainda a proximidade mantida nos momentos mais dolorosos do país, como os acidentes na Serra Malagueta e na ilha do Fogo, ou no diálogo com a juventude da Geração Z durante as Semanas da República.
No plano internacional, José Maria Neves fez questão de relevar os títulos e cargos assumidos em organismos multilaterais, apontando os ganhos diplomáticos para o arquipélago.
“Fomos designados ‘champions’ da União Africana para a Preservação do Património Natural e Cultural de África, patrono da Aliança da Década do Oceano pela UNESCO e patrono da História Geral da África. São designações extraordinariamente importantes para projectarmos a imagem externa de Cabo Verde”, analisou.
Na agenda ambiental, destacou a realização de cinco conferências internacionais dedicadas à economia azul e à preservação dos mares, além da recepção de vários Chefes de Estado de referência e da visita histórica do Director-Geral da Unesco após 23 anos.
Num quadro internacional de incertezas e crises democráticas, o mais alto magistrado da Nação valorizou a capacidade de manter a paz social e a estabilidade democrática em Cabo Verde após sucessivos actos eleitorais com alternâncias de poder.
Reafirmando o papel do Chefe de Estado como elemento agregador e defensor da integridade territorial, José Maria Neves defendeu que o Presidente “deve ser, sobretudo, um pacificador” capaz de se colocar acima das hostilidades e procurar consensos sobre o que é essencial.
Ao concluir a sua intervenção, deixou uma mensagem de confiança quanto ao futuro do país.
“Hoje sinto-me muito mais preparado, muito mais confiante no exercício da Presidência da República e com melhores condições para contribuir para um país grande, um país com ambição e capaz de se transformar”, frisou
Depois de algumas perguntas colocadas pelos jornalistas, o Chefe de Estado falou da necessidade de se defender sempre os nossos emigrantes, tendo em conta a situações de alguma intolerância e mensagens de certos sectores políticos e não só contra estrangeiros nos países de acolhimento.
José Maria Neves fez menção também a outros desafios que se colocam, destacando a questão dos transportes internos, a descentralização na clara alusão para se levar mais poderes e recursos às ilhas, a saúde , entre outros desafios.
Outro assunto que o Presidente da República abordou, tem a ver com o envelhecimento da população. Trata-se no dizer de José Maria Neves, de uma questão que precisa estar na agenda e analisada pelas autoridades, tendo em linha de conta, a "sustentabilidade da Segurança Social".
Cvsports. cv C/Inforpress


