Reino Unido e França vão discutir próximas etapas da Ucrânia com aliados

A França e o Reino Unido vão reunir hoje a “coligação de voluntários” por videoconferência para discutir as garantias de segurança necessárias para pôr fim ao conflito na Ucrânia, anunciaram os dois governos.
A reunião será presidida conjuntamente pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, indicou a agência de notícias France-Presse.
A reunião da coligação formada por 30 países, maioritariamente europeus, servirá “para informar os líderes sobre os resultados das discussões em Washington”, na segunda-feira, “e discutir os próximos passos”, disse um porta-voz do Governo britânico.
Zelensky espera garantias de segurança de aliados europeus "dentro de dez dias"
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou segunda-feira em Washington que os seus aliados ocidentais vão formalizar "dentro de dez dias" as garantias de segurança para a Ucrânia, para impedir qualquer novo ataque russo ao país.
"As garantias de segurança serão provavelmente decididas pelos nossos parceiros e haverá cada vez mais detalhes, pois tudo será colocado no papel e oficializado (...) dentro de uma semana a dez dias", afirmou o chefe de Estado ucraniano, após negociações na Casa Branca com o Presidente norte-americano, Donald Trump, e vários líderes europeus.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que uma das garantias de segurança para a Ucrânia, a acompanhar qualquer acordo de paz com a Rússia, deverá ser um exército ucraniano suficientemente "robusto" para impedir novos ataques de Moscovo.
"Pude voltar esta tarde ao conteúdo dessas garantias de segurança, que são um exército ucraniano robusto, capaz de resistir a qualquer tentativa de ataque e dissuadi-lo, e, portanto, sem limitações em número, capacidade ou armamento", disse Macron aos jornalistas. "Enquanto ele [o Presidente russo, Vladimir Putin] achar que pode vencer através da guerra, continuará", acrescentou.
Zelensky disse que está "pronto" para uma reunião bilateral com Putin, para pôr fim à invasão russa do seu país, que já dura há mais de três anos.
"Estamos prontos para uma reunião bilateral com Putin e, depois disso, esperamos uma reunião trilateral" com a participação de Donald Trump, disse à imprensa.
A questão de eventuais concessões territoriais exigidas pela Rússia à Ucrânia "é uma questão que deixaremos entre mim e Putin", acrescentou.
Macron confirmou a ausência do tema nas concessões territoriais nas conversações, porque, segundo disse, "a prioridade são as garantias de segurança" e "isso deve ser discutido bilateralmente e trilateramente", numa eventual reunião entre Putin e Zelensky, seguida de uma possível cimeira a três com Trump.
O presidente finlandês, Alexander Stubb, manifestou dúvidas de que Putin esteja disponível para a sequência de reuniões que se anunciou no final do encontro na Casa Branca, que juntou, para além de Stubb, do anfitrião, Donald Trump e Zelensky, os Presidente francês, Emmanuel Macron, o chanceler alemão Friedrich Merz, e o seus homólogos britânico, Keir Starmer, e italiana, Giorgia Melonio, e ainda as lideranças da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e da NATO, Mark Rute.
"Putin raramente é digno de confiança. Resta saber se ele tem coragem de comparecer a este tipo de reuniões, se tem coragem de comparecer a uma reunião trilateral, ou está mais uma vez a tentar ganhar tempo", afirmou Stubb à imprensa finlandesa.
As reuniões em Washington giraram em torno das garantias de segurança, que devem ser fornecidas à Ucrânia pelos seus aliados do Velho Continente, em "coordenação" com os Estados Unidos.
Segundo Donald Trump, Vladimir Putin estará disposto a aceitar tais garantias de segurança.
Com Lusa