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FERNANDO DIAS DA COSTA REJEITA "TRANSIÇÃO" MILITAR E EXIGE RESTAURO DA LEGITIMIDADE ELEITORAL

FERNANDO DIAS DA COSTA REJEITA "TRANSIÇÃO" MILITAR E EXIGE RESTAURO DA LEGITIMIDADE ELEITORAL

A Direção Nacional de Campanha do candidato à Presidência da República nas eleições de 23 de novembro de 2025, na Guiné-Bissau, Fernando Dias da Costa, denunciou este domingo aquilo que classifica como uma detenção arbitrária e perseguição política contra Domingos Simões Pereira, e rejeitou de forma categórica qualquer tentativa de transição política conduzida pelos militares.
Em comunicado dirigido ao povo guineense, à comunicação social e à comunidade internacional, a campanha informou que, no dia 30 de janeiro de 2026, graças à mediação da CEDEAO e ao apoio do Senegal, foi efetuada a transferência de Domingos Simões Pereira da esquadra policial para a sua residência, bem como o regresso do  Fernando Dias da Costa à sua casa, após ambos terem estado sob proteção na Embaixada da Nigéria.
No entanto, segundo a Direção de Campanha, essa transferência não representa liberdade, uma vez que Domingos Simões Pereira continua privado dos seus direitos, agora sob um regime de detenção arbitrária na sua própria residência, sem qualquer fundamento legal ou mandado judicial. A campanha considera que a situação, que já dura há mais de dois meses, configura um ato de perseguição política motivado pelo resultado das eleições presidenciais.
O comunicado acusa Alto Comando Militar de não ter conseguido apresentar qualquer processo judicial ou acusação concreta contra Domingos Simões Pereira, sublinhando que a única “culpa” atribuída é a de ter conduzido a vitória eleitoral de Fernando Dias da Costa e defendido a vontade popular expressa nas urnas.
A Direção Nacional de Campanha afirma ainda ter tomado conhecimento, através de um comunicado da CEDEAO divulgado na noite de 30 de janeiro, da existência de uma carta enviada pelo Alto Comando Militar à organização regional no dia 29 de janeiro de 2026. De acordo com o comunicado, essa carta teria como objetivo induzir em erro a CEDEAO e a opinião pública nacional e internacional, ao apresentar os militares como cumpridores das decisões da Cimeira da CEDEAO e de outras instâncias internacionais, como as Nações Unidas, a União Africana, a CPLP e a União Europeia. A campanha considera essa narrativa falsa e rejeita qualquer tentativa de formação de um “governo de transição” imposto pela força das armas.
No documento, a Direção de Campanha recorda que Fernando Dias da Costa é o vencedor das eleições presidenciais de 23 de novembro de 2025, resultados que afirma terem sido validados pela CEDEAO, pela União Africana e pela comunidade internacional. Qualquer solução política que não passe pelo reconhecimento desses resultados e pelo imediato empossamento do Fernando Dias é considerada ilegítima e inaceitável.
Relativamente à chamada “transição” anunciada pelos militares, a campanha afirma que esta desrespeita a vontade popular e ignora as decisões saídas das Cimeiras da CEDEAO de 27 de novembro e de 14 de dezembro de 2025. 

O comunicado acusa ainda os militares de agirem para defender interesses do ex-Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, “derrotado” nas urnas em eleições consideradas livres, justas e transparentes pela comunidade internacional.
A Direção Nacional de Campanha garante que não participará em qualquer processo de partilha de poder ou distribuição de pastas ministeriais sob a égide dos golpistas, defendendo que qualquer reforma política só pode ocorrer no quadro constitucional, através de instituições legítimas e democraticamente eleitas.
No final do comunicado, a campanha anuncia um conjunto de posições, entre as quais a rejeição total da tentativa de simular uma normalidade institucional, a exigência da manutenção da força militar da CEDEAO na Guiné-Bissau, a libertação imediata e incondicional de Domingos Simões Pereira e de todos os presos políticos, o fim das perseguições, raptos e intimidações contra cidadãos, ativistas e jornalistas, bem como um apelo à resistência pacífica do povo guineense.
A Direção de Campanha exorta ainda a comunidade internacional a manter o isolamento do regime que considera ilegítimo e apela à CEDEAO para que avance com sanções direcionadas contra todos os que impedem o regresso à ordem constitucional democrática.
“A nossa luta é pela democracia, pela legitimidade e pela dignidade do povo guineense”, conclui o comunicado, garantindo que a campanha não descansará enquanto a vontade expressa nas urnas não for restaurada.
 

C/ RÁdio TV Bantaba

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