Gratidão, orgulho e esperança

Hoje chegou ao fim a nossa participação na competição de Voleibol de Praia, em Alexandria Egipto. Fica, naturalmente, aquela sensação de que poderíamos ter ido mais longe. Mas, acima de tudo, fica o orgulho pelo caminho que construímos, pela nossa entrega e por tudo aquilo que conseguimos conquistar Janice Varela #irmãs_varela.
Ao mesmo tempo, não posso deixar de manifestar a minha preocupação com o sistema de qualificação africano. Acredito que competições desta dimensão devem ser pautadas pela transparência, pelo mérito e pela igualdade de oportunidades. A realização dos jogos sem um sorteio claro e a definição prévia de determinados cruzamentos levantam sérias preocupações e merecem uma maior supervisão por parte da FIVB.
Digo isso porque sentimos na pele situações que, na minha perspetiva, prejudicam o trabalho e o mérito das equipas. Acreditamos que nenhuma equipa deve ser favorecida ou colocada em vantagem para proteger determinadas seleções. O mérito, a justiça e o respeito pelo trabalho de cada atleta devem sempre prevalecer.
Apesar de tudo, fizemos um excelente percurso um desempate de 2 a 1 com Moçambique, ganhamos um 2 a 0 contra a Tunísia, ganhamos mais um jogo 2 a 0 contra Gâmbia e tomamos uma derrota 2-0 com outra equipa de Moçambique (21-19 onde fomos roubados 2 pontos pela arbitragem, neste set decisivo) e outro set de 21-15 justo). E assim continuamos a acreditar que o nosso sonho está cada vez mais próximo. Hoje, Cabo Verde é respeitado no Voleibol de Praia. Já não ficamos para trás. Somos bicampeões da Zona II (Costa Ocidental da África), algo inédito nos últimos quatro anos, alcançámos uma vez as meias-finais da qualificação olímpica e, nesta competição, chegámos até aos oitavos de final, demonstrando a nossa evolução e competitividade.
Com investimento contínuo, trabalho e determinação, acredito que temos grandes possibilidades de chegar à Copa do Mundo não desta vez 2027 mas o de 2029 e aos Próximos Jogos Olímpicos 2032 (que poderá ser representada por duplas caboverdianas)
Quero deixar também os meus parabéns às equipas medalhadas:
Nigéria – qualificada para os Jogos Olímpicos
Marrocos
Moçambique
Parabéns pelo trabalho e pela conquista!
Um agradecimento muito especial à Federação Cabo-Verdiana de VoleiBol , na pessoa do seu Presidente, Rodrigues Antonio Carlos, pelo investimento que tem vindo a fazer no nosso voleibol e, particularmente, no Voleibol de Praia. Os resultados mostram que estamos no caminho certo. Pela primeira vez a Federação conseguiu realizar dois circuitos mundiais na praia de Laginha em dois anos consecutivos 2025 e 2026, ficando marcada na história de Cabo Verde.
A minha profunda gratidão também ao nosso treinador brasileiro, Márcio Araújo , que integra connosco o projeto Empowerment do Voleibol de Praia da FIVB. O seu trabalho, dedicação e experiência têm sido fundamentais para o nosso crescimento. A nossa fisioterapeuta Fátima Tavares que nos manteve prontas durante toda a competição. O nosso manager de volei de praia Luciano Jorge Faria e colegas de luta Masculina Admilson Brito Melo e Ivan Cristian.
E, acima de tudo, obrigada a Deus e aos meus familiares (minha eterna dupla de sangue Janice Varela). Ao Ministério Desporto, Comité Olímpico Cabo-verdiano , Instituto do Desporto e da Juventude, Garantia Seguros e a todos os que nos apoiam, acreditam em nós e contribuem, de uma forma ou de outra, para que este sonho continue vivo.
Ps: investir em duas duplas para essas competições também será crucial para aumentar chances de vitórias e qualificações. È de reelembrar ainda que graças ao nosso ranking de pontos a nível internacional as nossas duplas femininas tiveram a chance de jogar os Jogos Olímpicos da Juventude no sub 18.
Hoje termina uma competição, mas não termina o sonho.
Continuaremos a trabalhar. Continuaremos a acreditar. O momento de Cabo Verde chegará.
Gratidão!
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