Cabo Verde busca escrever história na WAFCON contra Gana
Uma mistura de orgulho nacional e entusiasmo sem limites toma conta da seleção de Cabo Verde antes de sua estreia na Copa Africana de Nações Feminina TotalEnergies CAF 2026, no Marrocos.
O ponto mais ocidental da África estará representado no torneio continental pela primeira vez na história – um momento decisivo para a nação insular que recentemente ganhou destaque na mídia internacional graças aos feitos da seleção masculina na Copa do Mundo da FIFA de 2026, que acaba de ser concluída.
Ao entrar na conferência de imprensa pré-jogo em Casablanca, na manhã de terça-feira, a treinadora da seleção de Cabo Verde, Silvéria Nédio, irradiava satisfação por representar o seu país no mais alto nível do futebol africano. Um sonho que acalentava desde que assumiu o comando da equipa em 2018, ano da criação da seleção feminina de Cabo Verde.
A treinadora cabo-verdiana de 60 anos, ex-jogadora de Andebol, ginasta rítmica e futebolista, atuou como ponta no FC Juventude de Cabo Verde. Sua consistência ao longo dos anos a levou a um feito histórico para sua nação no mais alto nível do futebol.
Seu cabelo loiro e a confiança que transmite lhe conferem a aura de uma treinadora séria e determinada; alguém que preparou sua equipa para esta etapa e está pronta para o desafio que tem pela frente.
“Este é um jogo muito importante para nós, pois é a nossa estreia na WAFCON. É um momento histórico para o nosso país. É um privilégio absoluto estarmos aqui. Esperamos fazer um bom jogo, jogar com determinação, porque sabemos que o Gana é uma equipe forte e determinada. Estamos motivados dentro da nossa equipe”, explica Nédio.
Essa motivação não começou algumas semanas depois, mas sim muito antes do início da campanha de qualificação. E quando começaram, deixaram suas intenções claras com uma vitória agregada de 6 a 3 sobre a Guiné, antes de reverter uma derrota por 1 a 0 para o Mali em Praia e registrar uma vitória por 4 a 2 contra o Mali no jogo de volta em Bamako. Conseguiram isso marcando um total de 10 golos em quatro jogos, enquanto sofreram seis.
A jodaora Varsénia da Luz admitiu que ela e suas companheiras de equipa estão muito motivadas pela seleção masculina, após a bravura demonstrada nos Estados Unidos, especialmente depois dos empates memoráveis contra as futuras finalistas Espanha e Argentina.
“Entendemos o que está em jogo para o nosso país e queremos defender as cores da nossa nação. Vimos o que os homens fizeram na Copa do Mundo e queremos entrar neste torneio com esse mesmo ímpeto”, diz Da Luz com os olhos brilhando.
Lições da última WAFCON
Após ter tido uma boa experiência na WAFCON no ano passado, o técnico sueco de Gana, Kim Lars Björkegren, admitiu estar em território familiar desta vez, com ainda mais em jogo – uma vaga na Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027 no Brasil.
“Estamos ansiosos pelo início do torneio. Estivemos em pré-temporada por algumas semanas com a comissão técnica. Melhoramos nosso condicionamento físico e nos sentimos prontos para a estreia. Eles [Cabo Verde] jogarão com muita garra, como vimos na Copa do Mundo, mas esperamos começar o torneio com uma vitória.”
As Black Queens farão sua 12ª participação na WAFCON, ficando atrás apenas da Nigéria, recordista de 10 títulos, e da África do Sul, campeã em 2022, que têm mais participações – 14.
Björkegren explica ainda: “Aprendi a entender as expectativas em relação a Gana. Foi o mesmo para a seleção masculina [na Copa do Mundo]. O plano era chegar até o fim. Mas, para nós, é claro que estávamos felizes com a medalha de bronze na última WAFCON. Assumi uma equipa que não vinha apresentando um bom desempenho há muito tempo. Passo a passo. Jogamos contra a Rússia e vencemos por 4 a 0. Jogamos contra a Inglaterra em dezembro [de 2025], mesmo tendo perdido a partida. Temos uma equipa que pode ir longe. Existem outras 6 ou 7 seleções que também podem ir longe.”
Para a meio-campista Chantelle Boye-Hlorkah, que disputa sua segunda WAFCON consecutiva, o início instável — uma derrota por 2 a 0 para a África do Sul na estreia do ano passado — deixou as Black Queens em alerta máximo para evitar a complacência e começar a campanha com um resultado positivo.
Ela diz: “É o início da WAFCON. As meninas estão animadas. Nos divertimos bastante da última vez. Estamos preparadas para voltar, nos entrosamos bem como equipa. Estamos prontas para começar. Como conjunto, entraremos neste torneio com a qualidade que temos. Da última vez, era um torneio novo, além de um certo nervosismo por ser algo desconhecido. Desde então, nos entrosamos como equipe e, com o apoio de casa, estamos prontas.”
A Estatística
Gana enfrenta uma estreante no torneio pela nona vez, incluindo as partidas da edição inaugural em 1998, quando todas as equipes participantes fizeram sua estreia e as Black Queens nunca perderam para uma estreante. Os oito jogos anteriores de Gana contra estreantes no torneio resultaram em 31 golos, uma média de 3,88 por partida.
C/Calonline


