Surto em Cruzeiro: Navio Hondius segue para Tenerife após cumprimento de protocolos sanitários
O navio de cruzeiro m/v Hondius, retido ao largo do porto da Praia, seguiu hoje com destino a Tenerife, após cumprir todos os protocolos sanitários, com 144 passageiros assintomáticos a bordo, acompanhados por equipa médica.
A informação foi avançada pela directora nacional da Saúde, Ângela Gomes, em conferência de imprensa de actualização do ponto de situação do navio cruzeiro que se encontrava ancorado ao largo do porto da Praia desde 03 de Maio, após a deteção de um surto de hantavírus, tendo as autoridades cabo-verdianas impedido a atracação por razões de saúde pública.
“O navio de cruzeiro m/v Hondius deixou o largo do porto da Praia esta tarde, após o cumprimento de todos os procedimentos definidos pelas autoridades sanitárias de Cabo Verde”, afirmou, assegurando que a saída da embarcação ocorreu depois de cumpridas todas as exigências das autoridades sanitárias cabo-verdianas.
Segundo a responsável, seguem a bordo 144 passageiros, todos assintomáticos, acompanhados por uma equipa reforçada de profissionais de saúde, entre médico e epidemiologistas, que foram garantidos pela própria agência de viagem da referida embarcação.
Informou que no âmbito da resposta sanitária, foram transferidos os três únicos pacientes que se encontravam a bordo, em estado clínico estável, através de dois aviões-ambulância, numa operação que, segundo disse, decorreu “com sucesso e sob o rigoroso plano” de transferência médica.
A diretora nacional da Saúde sublinhou que todo o processo foi conduzido com base em critérios técnico-científicos, em articulação com parceiros nacionais e internacionais, garantindo a salvaguarda da saúde pública.
“Cabo Verde deu um exemplo de acção humanitária e de boas práticas internacionais num contexto de saúde pública bastante complexa”, destacou.
Durante a conferência, assegurou ainda que não houve qualquer contacto entre passageiros, tripulação ou o navio com o território nacional, reforçando a inexistência de risco para a população.
“A situação foi gerida de forma preventiva e responsável, não tendo sido registado em todo o processo qualquer risco para a população”, garantiu, adiantando que relativamente ao seguimento da situação, indicou que os profissionais de saúde envolvidos continuarão a cumprir quarentena, conforme os protocolos internacionais.
A responsável acrescentou, por outro lado, que Cabo Verde cumpriu integralmente o seu papel no quadro do Regulamento Sanitário Internacional, defendendo que o país deve orgulhar-se da resposta dada a uma situação considerada inédita.
Questionada sobre as declarações do presidente regional das Canárias, que afirmou que as acções sanitárias previstas para Tenerife poderiam ter sido realizadas em Cabo Verde, Ângela Gomes frisou que o país cumpriu estritamente a legislação nacional e as normas sanitárias internacionais.
“(…) Assumimos o nosso papel no contexto de saúde global e cumprimos estritamente o que está na Constituição da República, bem como o que está no Governamento Sanitário Internacional. E Cabo Verde fez o que tinha de ser feito, de forma responsável, e agora cabe às outras autoridades cumprir também o papel deles, onde estiverem”, declarou.
O navio de cruzeiro holandês, que não foi permitido atracar no Porto da Praia, fazia a ligação entre Argentina e Cabo Verde, e transporta passageiros, na maioria britânicos, americanos e espanhóis.
O cruzeiro visitou a península Antártica, a Geórgia do Sul e Tristão da Cunha – algumas das ilhas mais remotas do planeta.
Como medida de precaução, os passageiros foram instruídos para permanecerem nas respectivas cabines sempre que possível, disse ainda a OMS, acrescentando que o período de incubação pode durar várias semanas, o que significa que algumas pessoas podem ainda não apresentar sintomas.
C/Inforpress



