Convocação do jogador nascido em Angola mas costelas cabo-verdianas, Leltsin Camões está a causar mal estar em terras das Palancas.
O futebolista Leltsin Canções que nasceu em Angola e joga no Egito, é um dos 26 convocados do treinador Bubusita para o Fifa Series, torneio que se realiza neste mês de março na Nova Zelândia.
Como já foi noticiado, os Tubarões Azuis jogam no dia 27 contra o Chile e no dia 30, frente ao Combinado da Finlândia, jogos em que Leltsin pode fazer estreia vestindo a camisola de Cabo Verde, situação que não agrada boa parte da opinião pública angolana.
Vejamos o que escrevem alguns sites, começando com Bola em Campo:
É NOTÍCIA
CAMÕES TROCA ANGOLA POR CABO VERDE MESMO SEM QUALQUER RAIZ COM ARQUIPÉLAGO
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O angolano Leltsin Camões foi uma das grandes surpresas na mais recente convocatória da selecção de Cabo Verde, orientada por Pedro Brito “Bubista”. Nascido em Angola e sem ligações directas ao arquipélago, o jogador decidiu mudar a sua nacionalidade desportiva e vai representar os chamados “Tubarões Azuis”.
Segundo informações a que o Bola Em Campo teve acesso, Camões prepara-se para fazer a sua estreia já nesta data FIFA, em jogos frente ao Chile, no dia 27 de março, e à Finlândia, no dia 30, ambos a serem disputados no Estádio da Nova Zelândia. A inclusão do atleta tem gerado debate, sobretudo pela ausência de raízes cabo-verdianas conhecidas.
Com esta escolha, Leltsin Camões abre portas para uma possível participação na Copa do Mundo de 2026, que será realizada nas Américas. A decisão volta a levantar questões sobre a retenção de talentos no futebol angolano e a crescente concorrência entre as selecções africanas.
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Desporto Palanca
CAOS NA FAF RESULTA EM FUGA DE JOGADORES
A ausência de uma estratégia clara por parte da Federação Angolana de Futebol, liderada por Alves Simões e pelo vice-presidente para as seleções nacionais Carlos Alonso Kali, está a levantar sérias preocupações quanto ao futuro da Seleção Nacional de Angola, especialmente no que diz respeito à integração de jogadores da diáspora.
A falta de projetos concretos direcionados aos atletas angolanos e luso-descendentes que atuam no exterior, muitos deles elegíveis para representar Angola, tem criado um cenário pouco atrativo. Como consequência, cresce a possibilidade de vários desses jogadores optarem por outras seleções, mesmo tendo ligação e interesse em representar os Palancas Negras.
O atual momento da seleção nacional agrava ainda mais o problema. Angola encontra-se há cerca de um mês sem selecionador, não realizou qualquer jogo na última data FIFA de março e vive um período de indefinição organizativa que levanta dúvidas sobre a direção desportiva.
A situação torna-se ainda mais delicada após as declarações de Alves Simões no balanço do último Campeonato Africano das Nações, onde o presidente da FAF indicou a intenção de apostar mais em jogadores do Girabola, justificando que alguns atletas da diáspora não demonstraram total compromisso com a seleção.
Este posicionamento, longe de resolver o problema, pode estar a aprofundar a ruptura com talentos formados fora do país, que representam uma fatia importante do potencial competitivo da seleção angolana.
Um exemplo concreto desse cenário é o caso do avançado do Al Ahly SC, Ieltsin Simões. Nascido em Luanda, mas com ascendência cabo-verdiana, o jogador optou por representar a Seleção Nacional de Cabo Verde, seleção que se prepara para marcar presença na Copa do Mundo FIFA 2026, a ser disputada nos Estados Unidos, México e Canadá.
A decisão de Ieltsin Simões surge como um reflexo direto do atual contexto vivido no futebol angolano, levantando uma questão inevitável: quantos mais talentos poderão seguir o mesmo caminho se não houver mudanças estruturais e estratégicas na FAF ?


