"Vamos ter as nossas grandes empresas petrolíferas, as maiores de todo o mundo, a entrar na Venezuela": Trump não esconde real objetivo da operação contra Maduro
O presidente americano diz que a ação contra o regime venezuelano era algo nunca visto "desde a Segunda Guerra Mundial". Donald Trump desfez-se também em elogios aos militares americanos responsáveis pela intervenção. "Se tivessem visto o que eu vi ontem à noite, teriam ficado muito impressionados"
Donald Trump foi claro sobre as reais ambições do EUA na Venezuela após a intervenção militar contra Nicolás Maduro e o seu regime, que viu o presidente venezuelano ser capturado, junto com a mulher, e levado para solo americano para ser julgado.
Vamos ter as nossas grandes empresas petrolíferas, as maiores de todo o mundo, a entrar [na Venezuela] e gastar milhares de milhões de dólares, reparar as más e degradadas infraestruturas de petróleo e começar a fazer dinheiro para o país", disse o presidente dos EUA numa conferência de imprensa em Mar-a-Lago este sábado.
"O negócio do petróleo na Venezuela tem sido um fracasso, um total fracasso por um longo período. Estavam a extrair quase nada comparando com o que podiam”, acrescentou.
Apesar disto, Trump manteve o embargo ao petróleo venezuelano. "Muito importante, o embargo a todo o petróleo venezuelano continua em pleno vigor. A Marinha Americana continua posicionada e os Estados Unidos mantêm todas as opções militares até que as exigências dos Estados Unidos sejam totalmente atendidas e totalmente satisfeitas", disse o presidente.
Trump também emitiu um aviso direto aos líderes associados a Maduro.
“Todas as figuras políticas e militares na Venezuela devem entender que o que aconteceu com Maduro pode acontecer com eles, e acontecerá com eles se não forem justos, mesmo com o seu povo”.
"Se tivessem visto o que eu vi ontem à noite, teriam ficado muito impressionados"
Numa longa declaração em que se desfez em elogios aos militares que levaram a cabo a operação, Donald Trump referiu que esta intervenção era algo “que não era visto desde a Segunda Guerra Mundial”.
"Nenhuma nação no mundo conseguiria alcançar aquilo que os EUA alcançaram ontem, francamente, num curto período. Todas as capacidades militares venezuelanas foram neutralizadas", prosseguiu o líder americano. "Os homens e mulheres das nossas Forças Armadas, em conjunto com as autoridades americanas, capturaram Maduro com sucesso a meio da noite. Estava escuro, muitas luzes de Caracas foram desligadas devido a um certo nível de conhecimentos que nós temos. Estava escuro".

O presidente americano referiu também que as forças do país sul-americano “já estavam à espera” dos militares americanos. "Sabiam que nós tínhamos muitos navios no mar à espera. Estavam naquilo que se chama uma posição preparada, mas foram completamente assoberbados, muito rapidamente incapacitados. Se tivessem visto o que eu vi ontem à noite, teriam ficado muito impressionados".
Trump foi também bastante transparente ao admitir que os EUA “vão mandar no país até certo ponto” no tempo.
"Não queremos estar envolvidos com alguém que venha e possa levar a uma situação igual há que tivemos durante um longo período de anos. (…) Queremos paz, liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela", disse Trump, que chegou a falar na possibilidade de realizar um segundo ataque contra o regime de Maduro.
Donald Trump durante o discurso ao mundo. Atrás de si, da esquerda para a direita estão Stephen Miller, conselheiro de Segurança Interna dos EUA, John Ratcliffe, diretor da CIA, Marco Rubio, secretário de Estado, Pete Hegseth, secretário da Defesa, e Dan Caine, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA (Alex Brandon/AP)
“Estávamos preparados para fazer uma segunda vaga se fosse necessário - na verdade, assumimos que seria necessária uma segunda vaga, mas agora provavelmente não é”, afirmou Trump. “A primeira vaga, se lhe quisermos chamar assim, o primeiro ataque foi tão bem sucedido que provavelmente não temos de fazer uma segunda vaga, mas estamos preparados para fazer uma segunda vaga, uma vaga muito maior, na verdade”.
Trump disse que a retirada de Maduro, que vai “enfrentar o poder total da justiça americana e ir a julgamento em solo americano”, marcou um ponto de viragem para o país.
"O ditador e terrorista Maduro finalmente deixou a Venezuela. As pessoas estão livres. Estão livres novamente. Tem sido um longo caminho para eles, mas estão livres."
C/CNNPortugal

