Francisco Carvalho candidata-se à liderança do PAICV “para contribuir para o desenvolvimento do País e melhorar o partido”

Francisco Carvalho, presidente da Câmara Municipal da Praia e candidato na corrida a liderança do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) no escrutínio de 30 de Março, mostra-se convicto na vitória de “A Hora é Agora, Nu Djunta Mon” e revela que pretende com a sua candidatura contribuir para o desenvolvimento de Cabo Verde e a melhoria do partido que representa.
O aspirante à liderança do PAICV disse que a sua candidatura tem como grande objectivo contribuir, da melhor forma possível, para o desenvolvimento de Cabo Verde e, obviamente contribuir para a melhoria do próprio partido, o PAICV.
“Porque o presidente do PAICV é alguém que tem a responsabilidade de trabalhar para o PAICV, no sentido de fazer com que o PAICV consiga alcançar a sua melhor versão possível, enquanto partido político, que defende uma determinada linha ideológica, claramente uma linha ideológica à esquerda, um partido que toma como referência maior o pensamento de Amílcar Cabral, e que tem na promoção do desenvolvimento de Cabo Verde, na promoção do desenvolvimento das pessoas, o objectivo maior, o maior de todos”, explicou.
Para Carvalho, haverá sempre muito para ser melhorado, muito para ser trabalhado, e tem outra dimensão que tem a ver com o país, que é o PAICV promotor de um programa para o desenvolvimento de Cabo Verde.

Desenvolvimento centrado nas pessoas
Projecta um desenvolvimento centrado nas pessoas, que complemente o percurso feito neste período de 50 anos de independência.
“Nós estamos satisfeitos com aquilo que o país já fez, mas temos a plena consciência de que precisamos ir mais longe e mais rápido, incluindo todas as pessoas. Portanto, há aqui necessidade desta viragem de inclusão de todas as pessoas”, frisou.
Realçou que “esta candidatura tem a ver com um chamamento dos cabo-verdianos e de pessoas que pertencem a outros partidos políticos”.
“Aconteceu, por exemplo, no encontro em São Vicente, na cidade do Mindelo, onde há um interveniente que diz claramente que não é militante do PAICV, que é militante de um outro partido político, mas, entretanto, estava ali para escutar, para ouvir as propostas, porque acredita em nós”, observou.
Nesta linha, assevera que esta dimensão do chamamento de militantes, de não-militantes, de militantes de outros partidos, de pessoas da sociedade civil, de independentes, revela que há este pedido, ao qual acredita ter a responsabilidade ética e moral de dizer presente e de dizer sim.
Defende que qualquer cidadão tem a responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento do seu país e que essa contribuição pode ser a vários níveis e um dos níveis é estando à frente de um partido político com o PAICV.
Sondagem – método para evitar disputas
Relativamente a concorrência nesta corrida, que já conta com quatro candidatos assumidos na corrida à sucessão de Rui Semedo, o candidato de “A Hora é Agora, Nu Djunta Mon” afirmou que os defensores da coesão e da união no seio do PAICV deveriam ser os primeiros a defender um método, que evitasse a disputa entre os militantes. “Portanto, para mim, há aqui uma grande contradição”.
“Quando alguém diz que defende a união, mas, entretanto, defende também a disputa cerrada entre os militantes, é que é impossível de todo que haja uma disputa entre os militantes sem que haja mágoa, sem que haja dor”, esclareceu.
É impossível, porque disputa implica isso mesmo, implica disputa, explicitou, asseverando que “quando há disputa, quer dizer que alguém se acha melhor e quando a pessoa diz que é melhor, tem de argumentar e é nessa busca de argumentos que vem a mágoa”.
“Porque, obviamente, que há alguém para dizer que é melhor, obviamente, que à medida que o puxa-puxa vai se intensificando, obviamente que chega cada vez mais num nível de confronto mais directo. Isto é inevitável. Portanto, é romantismo pensar que não é assim”, foi peremptório.
“Eu propus que se fizesse uma sondagem e que o pacto que deveria ser um pacto para se respeitar a sondagem. No sentido de, faz-se a sondagem, o candidato que é apontado pela sociedade cabo-verdiana como aquele que tem melhores chances de ganhar o MPD, de ganhar o país, esse candidato assume a posição cimeira e os demais juntam-se a ele nesta grande tarefa de ir trabalhar e apresentar uma plataforma e vencer as eleições legislativas de 2026”, apontou.
Disse que tem andado pelos concelhos e ilhas do país, sempre com uma grande esperança, em como ainda se está a tempo de “haver reconsideração e entendimento no sentido de se arrepiar caminho e se efetuar a sondagem para se ter um pacto para todos respeitar o resultado da sondagem, para fortalecer o candidato na disputa ao nível nacional em 2026.
Puxa-puxa vai ser acirrada
Carvalho disse acredita que ainda é tempo do PAICV apresentar o único candidato a liderança nestas eleições, “porque ainda o puxa-puxa não atingiu aquele grau acirrado que vai atingir”.
“Eu acho que é o melhor caminho para o PAICV e para a Cabo Verde, porque estando os quatro candidatos juntos, não há disputa, não há mágoa. Virão ali acusações daqui a nada. Já estão a decorrer, vai subir de tom e eu acredito que sim, eu tenho essa esperança, eu vou continuar a trabalhar nesse sentido e obviamente que até lá eu vou ter também que fazer”, prognosticou.
Revelou que tem estado com uma agenda intensa de contactos e de diálogo com os militantes, para apresentar as suas ideias centrais para o país, “porque é disso que se trata e trata-se de quem tem a melhor proposta para, eu digo sempre, o desenvolvimento de Cabo Verde”
Disse que já se fez um brilhante percurso até aqui, mas a seu ver, insuficiente, porque entende que precisa-se “ter uma nova postura que é ter os olhos postos no desenvolvimento de Cabo Verde, incluindo todos os cabo-verdianos”.
O edil praiense, lembra que o PAICV com a sua candidatura ganhou duas eleições ao Governo no maior município do país e que isso até deve-se ter em linha da frente para influenciar a massa receptiva do PAI, sustentando que isso pode ter um efeito directo.
“Eu tenho conversado muito com as pessoas e as pessoas estão todas aqui, viram o que é que aconteceu durante estes quatro anos. Por todo lado, para onde eu vou, eu encontro gente que me diz que assistiu de longe toda a afronta a que fomos submetidos aqui na Câmara Municipal da Praia, mas que também assistiu de longe a nossa capacidade de resiliência”, sintetizou.
“Em relacção aos ataques que nós sofremos, é de conhecimento público que todos os fundos foram cortados pelo Governo. Todos os fundos, até o PRRA que nós tínhamos direito, nós acabámos por não receber o dinheiro. O Governo, daquilo que eu digo sempre, desta área radical do MPD, cortou acesso a todos os fundos e cortou até os fundos que já estavam assinados para ir à Câmara da Praia”, denunciou.
Praia - Único município que reduziu a taxa de abstenção

E todos viram a quantidade de inspeções, auditorias e inspeções, processos e mais processos, inventonas de toda a espécie, elucidou, acrescentando que por onde vá neste país, encontra pessoas que dizem em primeira mão o quanto testemunharam o ataque que a sua equipa sofreu na autarquia.
“E isto é importante em termos de avaliação de probabilidades de ganhar as eleições legislativas, porque enfrentámos sim, durante estes quatro anos, toda a máquina do MPD aqui no município da Praia. Enfrentámos. É fundamental que as pessoas não se esqueçam, não se esqueçam dos ataques aos quais eu fui exposto pelo primeiro-ministro de Cabo Verde, que é presidente do MPD”, apontou
“É fundamental que as pessoas não se esqueçam que a ministra das Infraestruturas, disse algo extremamente grave. Quem pode mais, pode menos. Portanto, foi uma ministra desta república que expressou desta forma, quem pode mais, pode menos, retribuindo sempre para o exercício do poder à força. Por outro lado, é fundamental que ninguém se esqueça, o primeiro-ministro do país e presidente do MPD, disse que iria tomar a Câmara da Praia, custe o que custar”, sublinhou.
De acordo com Carvalho, é fundamental que as pessoas se lembrem sempre que se trata de uma equipa, que conseguiu “um resultado extraordinário e que nestas últimas eleições autárquicas, foi o único circulo eleitoral que nas eleições de 2024 registou a diminuição da taxa de abstenção, foi somente a Câmara da Praia”.
“Não aconteceu em nenhuma outra Câmara deste país. E é fundamental lembrar que foi num contexto global de acréscimo galopante, de desesperança e de falta de acreditar nos políticos, nos partidos políticos e na política. E neste contexto global de descrença em relacção a tudo isto, de descrença em relacção aos políticos, a partidos políticos e política, que é uma Câmara do país que regista a diminuição da taxa de abstenção”, desabafou.
Quando há mais pessoas que vão votar, vão devido a duas razões, porque têm mais esperança, e mais confiança.
Acessibilidade aos transportes marítimos e aéreos
Instado a pronunciar sobre o argumento que vai apresentar o público para votar na sua candidatura, se for mesmo eleito presidente do PAICV, Francisco Carvalho afiançou que a sua equipa tem “ um programa a implementar no país que vai ao encontro da necessidade das pessoas, que vai dar resposta aos problemas das pessoas, virado para problemática como os transportes, a saúde e o desemprego.
Considera que neste momento estamos a viver o caos ao nível dos transportes aéreos e marítimos.
“Um bilhete para São Vicente, há dias, custou uns 24 mil escudos. O salário mínimo é 17 mil escudos. Portanto, isto diz tudo. Nós temos propostas muito concretas. 500 escudos para viagens de barco, 5 mil escudos para viagens de avião. Açores, Madeira, faz isto, 60 euros para ligar até Lisboa. Portanto, o que nós vamos apresentar aqui são todas medidas que estão a ser implementadas em vários países há décadas. Nós não vamos estar aqui a inventar rigorosamente nada”, disse.
Com esta medida, perspectiva que haja mais pessoas a circular por motivos económicos, para negócios, mas circulam também por motivos turísticos e por motivos familiares. E mais, além do bilhete a preços acessíveis, propõe, isenção total para o transporte de mercadorias para a venda para fomentar a economia.
No campo da saúde, propõe acesso universal para todas as pessoas, para tudo o que é saúde. “Não pagam nenhum tostão, nem para consulta, nem para comprar os remédios, nem para os exames”, avançou.
“Quem não quer ir para o serviço público pode pagar e ir para o serviço privado, mas vai porque quer, não vai porque está condenado a ir”, ressaltou.
Acesso à universidade pública
Relativamente a “imensa taxa de desempregados que nós temos no país” entende que um dos caminhos passa travar esta “crise” passa pelo acesso à universidade pública.
“Como é possível que nós, tendo aqui jovens brilhantes, oriundos de famílias paupérrimas que não podem pagar nada, fiquem pelo caminho da vida, apenas porque tiveram a infelicidade de nascer numa família que não tem condições para pagar propinas. O Estado tem de cuidar disto. O Estado existe para estas coisas”, exemplificou.
O Estado existe para elevar o nível de uma sociedade, para que a sociedade tenha as bases para atingir o desenvolvimento, explicitou, assegurando ser “este o papel do Estado, isto é, para regular o básico, para elevar a base, para que estejam reunidas as condições, para que o país possa, assim, caminhar para o processo de desenvolvimento.
“Sem essas bases não há desenvolvimento. É pura ilusão”, concluiu.



