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Perfil: Orlando Mascarenhas - Figura incontornável do desporto cabo-verdiano

Perfil:  Orlando Mascarenhas - Figura incontornável do desporto cabo-verdiano


Orlando José Mascarenhas, o jovem nonagenário que dispensa apresentação no mundo desportivo cabo-verdiano e não só, tem dado um grande contributo sobretudo para o futebol enquanto jogador, treinador e dirigente desportivo, tendo inclusive conquistado um campeonato de Cabo Verde como técnico do Sporting da Praia em 1969. 
Esteve na formação do Sporting Clube da Praia, grémio surgido a partir do Rápido, uma equipa de fralda nascida nos subúrbios de “Riba Praia”, e soube partilhar a vida desportiva com a política e social, tendo sido deputado nacional durante dois mandatos, primeiramente no partido único e nos anos 90, no regime democrático, na oposição. Um verdadeiro gentleman, um multifacetado. 
Antigo presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, Mascarenhas esteve na formalização dos clubes de Cabo Verde na liga dos Clubes Campeões Africanos, prova, que, hoje em dia, curiosamente, as equipas campeãs de Cabo Verde não se inscrevem, alegadamente por questões de ordem financeira.
Figura desportiva de mérito reconhecida, Orlando Mascarenhas, começou a jogar oficialmente a bola a partir de 1952, aos 17 anos, com estrelas da sua geração como Mundinho, Rui Maia, Tonequinhas, Pedé, Cabral, Djudja, uma equipa na qual nessa ocasião espalhou o perfume do futebol por diversos campos pelados do país e na Guiné Bissau.
Em 1968, pendurou as chuteiras enquanto jogador para assumir a equipa técnica dos “leões da capital”, depois de ter participado numa formação orientada pelos professores Tavares Júnior e Wilson, em que juntamente com Tchibita, Alberto Salazar, Manuna, Lula de entre vários outros se candidatou e especializou-se neste exercício.
Como treinador, gaba-se de ter orientado no clube leonino da capital atletas de renomes como Branco, Zé di Nhanha, Djack, Lóló e Djudjú de entre muitos outros jogadores.

Orlando mascarenhas no Sporting da Praia,.jpg


Orlando Mascarenhas esteve ainda na presidência da Associação Regional de Futebol de Santiago Sul, e três anos depois foi elevado ao cargo do presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, ofício que ocupou, de forma magistral de 1991 a 1993. Nesse período teve o privilégio de participar na reunião da FIFA em Dakar, Senegal, com a presença do então presidente João Havelange. 
Nessa que foi a XX Assembleia da CAF, com a presença da FIFA realizada na capital senegalesa, altura na qual este país vizinho acolheu uma fase final da CAN, cujo título foi conquistado pela Costa do Marfim, decidiu-se pela adesão das equipas cabo-verdianas nas competições africanas a nível de clubes, em que o país esteve a competir com Sporting da Praia, Clube Desportivo Travadores, Clube Sportivo Mindelense, Boavista da Praia entre outros.

Na Guiné Bissau, onde trabalhou no Banco Nacional Ultramarina, representou durante dois anos o Ténis Clube, onde jogou  com figuras como Valdemar, Anildo e Caldeira Marques, numa equipa “bastante boa” e que contava com muitos cabo-verdianos, numa competição em que perfilavam equipas do Benfica, UDIB, ….
Neste país, Mascarenhas integrou a selecção dos jogadores cabo-verdianos ali residentes, pelo que teve a oportunidade de enfrentar a Académica de Coimbra (Portugal), numa das suas visitas anuais a Guiné Bissau, onde jogou contra grandes jogadores de renomes da época como Rocha, Humberto afora muitos outros, nesta digressão que Portugal fazia com as suas colónias.
Depois da ter deixado a Federação, integrou o Comité Olímpico Cabo-verdiano, onde  desempenha as funções do presidente da Academia Olímpica Cabo-verdiana, já vai no segundo mandato, na gestão da Filomena Fortes.

Orlando Mascarenhas, Rápido.jpg


A nível social, Orlando Mascarenhas começou a trabalhar em firmas privadas, ainda criança, em casa de Nho Eugénio, Abel Cruz, posteriormente foi para a Câmara Municipal da Praia, onde trabalhou de 1950 a 1959, até a sua entrada no Banco Nacional Ultramarino (BNU), de 1959 a 1970, para em 1970 rumar-se a Adega do Leão para assumir a gerência até 1975.
Com a proclamação da independência nacional de Cabo Verde a 05 de Julho, foi alistado pelo primeiro-ministro, Pedro Pires, para a presidência do Instituto Cabo-verdiano de Solidariedade (ICS), e não hesitou, já que mostrou-se determinado em apoiar os projectos da reconstrução nacional durante certa de oito anos.
A sua passagem pelo ICS deixou obras como a criação dos jardins infantis na Cidade da Praia, em São Vicente, no Fogo, em São Nicolau, em Santo Antão, na ilha do Sal e a primeira Aldeia Infantil SOS em Santa Catarina, obra inspirada pelo presidente Aristides Pereira a partir de uma visita ao Senegal.
Ainda hoje, este que também foi bancário,  continua a trabalhar como voluntário das aldeias, enquanto presidente da assembleia-geral da Fundação das Aldeias Infantis SOS.
Integrou ainda o Conselho Consultivo do Banco de Cabo Verde, a Comissão Nacional do Direitos Humanos, foi presidente do Rotary, esteve na criação da Câmara do Comercio em 1995, pelo que se sente extremamente confortável pela sua participação no desenvolvimento de Cabo Verde.
Ainda hoje, nos anos do seu 90º aniversário natalício, continua a marcar a sua viva presença, em acontecimento desportivos, partilhando os seus indispensáveis ensinamentos aos jovens desportistas e novos quadros. 
 

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