AME 2026 encerra com Princezito, Patche Di Rima e Fidju Kitxora e dá lugar ao Kriol Jazz Festival
O Atlantic Music Expo 2026 encerrou com actuações de Princezito, Patche Di Rima e Fidju Kitxora, numa noite que ficou evidente a forte ligação com o público e a diversidade cultural Africana, dando lugar ao Kriol Jazz Festival.
Ao longo da noite de encerramento, com Princezito, primeiro a actuar às 19:25, o público respondeu com entusiasmo às performances, num ambiente de partilha entre artistas e profissionais da indústria musical presentes no evento.
A estrear-se no palco do AME, Princezito elogiou a recepção calorosa do público, sublinhando a energia vivida durante a sua actuação.
“Foi uma das maiores reacções que já tive. Senti como se o público estivesse a mostrar o quanto me ama. Vibrou comigo, tanto no chão como no palco”, avançou, mostrando-se agradecido pelo carinho recebido.
O artista frisou ainda que a sua presença no evento teve como principal objectivo a partilha artística, uma vez que “não veio vender, mas sim partilhar”, referindo-se à importância do encontro com produtores e representantes de festivais internacionais presentes no AME.
Natural do Tarrafal, ilha de Santiago, Princezito é músico, compositor, intérprete, escritor e activista cultural, sendo reconhecido como um dos precursores do batuku moderno, cruzando tradição e contemporaneidade numa linguagem singular.
Também em palco, com energia contagiante, esteve o artista guineense Patche Di Rima, que valorizou o AME enquanto espaço de união entre culturas.
“O importante é estarmos juntos, a criar união e coesão”, considerou, agradecendo à organização e ao público.
O músico manifestou ainda satisfação por regressar a Cabo Verde, apresentando uma nova fase da sua carreira.
“Estou muito feliz por trazer um Patche mais maduro”, disse, realçando igualmente a valorização da cultura tradicional visível no público, nomeadamente através do uso de trajes típicos pelas mulheres que subiram ao palco orgulhosas pela cultura do próprio país.
Considerado um dos mais importantes artistas da actualidade da Guiné-Bissau, Patche Di Rima iniciou a sua carreira profissional em 2000 e lançou, em 2005, o seu primeiro álbum a solo, “Genial Amor”, sendo também embaixador da cultura e do turismo do seu país.
Por sua vez, Fidju Kitxora levou ao palco uma proposta marcada pela fusão de sonoridades e identidades da diáspora, numa actuação que cruza diferentes linguagens musicais.
Segundo o mesmo, esta primeira estreia no palco do AME foi positiva, foi uma experiência inacreditável uma vez que foi possível fazer a celebração da terra da sua mãe, Portugal.
“Como estamos na diáspora temos sempre uma expectativa”, disse, avançando que a apresentação da música foi para que o público pudesse sentir a familiaridades com os ritmos.
Trata-se de um projecto recente, em trânsito entre Lisboa e Cabo Verde, que lançou em 2024 o álbum de estreia “Racodja”, inspirado nas vozes passadas, presentes e futuras da diáspora, traduzidas numa música viva e contemporânea.
O encerramento do AME volta como ponto de encontro da indústria musical do mundo, reforçando o seu papel na promoção de artistas e na circulação de projectos culturais.
A noite prossegue agora com o início do Kriol Jazz Festival, que este ano homenageia o cantor Zeca di Nha Reinalda pelos seus 50 anos de carreira.



