História, pressão e orgulho: Marrocos e Senegal na final decisiva do CAN -2025 sob as luzes de Rabat.
Na noite deste domingo, sob as luzes brilhantes de Rabat, o futebol africano prenderá a respiração por um instante. Uma nação anfitriã, ansiosa por pôr fim a uma espera de cinco décadas pela glória continental, enfrentará uma potência ávida por consolidar seu lugar entre a elite africana.
O Estádio Príncipe Moulay Abdellah servirá de palco para a escrita de um novo capítulo da história do futebol africano, com o Marrocos, país anfitrião, enfrentando o Senegal na final da Copa Africana de Nações (CAN) TotalEnergies 2025.
A grande final reúne duas das maiores potências do futebol no continente; unidas por uma história compartilhada e respeito mútuo, mas separadas pela ambição de disputar 90 minutos decisivos.
Após um mês de jogos emocionantes que demonstraram a qualidade da África dentro e fora de campo, a final emblemática do torneio promete um duelo à altura do palco.
É uma noite de orgulho continental e de busca incessante pela glória.
Marrocos carrega o peso de uma nação
Marrocos não conquista a taça do CAN desde o seu triunfo histórico em 1976. Quase 50 anos depois, está prestes a pôr fim a essa longa espera, impulsionado pelo apoio apaixonado da torcida local e pela familiaridade com o campo.
No entanto, essa vantagem vem com um fardo. A expectativa pesa muito sobre os ombros dos Leões do Atlas, e embora o rugido da torcida possa alimentar a confiança, administrar a pressão será decisivo.
“A equipa que naturalmente está sob pressão é o Marrocos. É normal — estamos jogando em casa”, disse o técnico Walid Regragui em sua coletiva de imprensa pré-jogo.
“Para nós, o fator crucial será o controle emocional. Meu único receio é não jogar com liberdade, colocar muita pressão sobre nós mesmos e começar a pensar negativamente. É uma partida de futebol, uma final: temos que jogar, temos que aproveitar.”
Ao longo do torneio, Marrocos demonstrou capacidade de conquistar resultados, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. A vitória na semifinal contra a Nigéria, nos pênaltis, após o jogo ter sido decidido nos lances finais, evidenciou a resiliência, a postura e a capacidade de resistir à pressão quando os planos não saem como o esperado, com o guarada redes Yassine Bounou se consagrando o herói da noite.
Senegal chega com uma confiança serena
Do outro lado, Senegal entra na final com a tranquilidade e a segurança de uma equipa acostumada a grandes momentos. Ao longo da última década, os Leões de Teranga construíram uma cultura de continuidade, marcada por presenças regulares nas semifinais, finais consecutivas e conquistas que refletem um planeamento a longo prazo, e não um sucesso passageiro.
Para o Senegal, chegar às fases finais do CAN tornou-se uma expectativa, não uma surpresa.
“Chegar às semifinais tornou-se quase o mínimo para o Senegal, e a final, um hábito”, disse Moussa Niakhaté.
“Sempre agimos com respeito — isso faz parte dos valores que nos foram incutidos como senegaleses. No final, haverá apenas um vencedor: ou Marrocos ou nós.”
Já campeões da CAN uma vez, tendo levantado o troféu em 2021, o Senegal superou seu desempenho da edição anterior na Costa do Marfim, onde foi eliminado nas oitavas de final.
Desde a partida de estreia em Marrocos, eles demonstraram experiência, garra e maturidade, características que os tornam adversários formidáveis para os anfitriões.
Respeito antes da rivalidade
Na véspera da final, ambos os lados adotaram um tom semelhante — de respeito, moderação e reconhecimento mútuo.
Para o técnico da seleção do Senegal, Pape Thiaw, a ocasião carrega uma responsabilidade que vai além do resultado.
“Hoje, é a imagem da África que está em jogo”, disse Thiaw.
“Não podemos estragar tudo. Jogar contra o país anfitrião nunca é fácil por causa da torcida, mas em campo, são 11 contra 11.”
O técnico já sabe o que significa ganhar um troféu continental, tendo levado os Leões de Teranga ao título do Campeonato Africano das Nações (CHAN) na Argélia em 2023.
Marrocos, por sua vez, está plenamente consciente do desafio .
“O Senegal estará lá, com ou sem torcida. Eles são fortes. Grandes equipas sempre chegam ao fim”, observou Regragui.
Esses sentimentos são compartilhados pela atacante Eliesse Ben Seghir, que destacou o significado emocional da ocasião.
“Quando você tem 20 anos e vê jogadores mais experientes chorando depois de se classificarem para uma final, você entende a importância disso. É importante para eles, importante para o país”, disse ele.
Um troféu, duas ambições
Quando o apito final soar em Rabat, a África terá seu campeão — e mais uma página será escrita na história do seu maior palco do futebol. Ambas as equipes buscam um segundo título continental: uma movida pela nostalgia e pelo peso da história, a outra pela excelência constante e pela paixão ardente.
Apenas um prevalecerá.
Caminho para a final
Marrocos
Grupo A: Terminou em primeiro lugar com sete pontos, fruto de duas vitórias (contra Zâmbia e Mali) e um empate.
Oitavos de final: Marrocos 1–0 Tanzânia
Quartos de final: Marrocos 2–0 Camarões
Semifinais: Marrocos 0–0 Nigéria (vitória nos pênaltis)
Senegal
Grupo D: Terminou em primeiro lugar com sete pontos, fruto de duas vitórias (contra Botsuana e Benin) e um empate (contra a República Democrática do Congo).
Oitavos de final: Senegal 3–1 Sudão
Quartos de final: Senegal 1–0 Mali
Semifinais: Senegal 1–0 Egito
Estatísticas pré-jogo:
Senegal disputará sua quarta final do CAN e a primeira desde 2021, enquanto Marrocos jogará sua segunda final do CAN e a primeira desde 2004. Quando Marrocos conquistou o troféu em 1976, a fase final foi disputada em formato de todos contra todos, sem fase decisiva.
Este é o primeiro encontro entre as duas seleções em uma Copa Africana de Nações, mas o 32º no total. Senegal tem seis vitórias contra 18 de Marrocos, além de sete empates. O último confronto entre elas foi na semifinal do CHAN 2024, em Uganda, que Marrocos venceu nos pênaltis.
A partida da final do CAN-2025 que coloca o Marrocos frente ao Senegal, disputa-se hoje, a partir das 18 horas.
C/Calonline


